sábado, 18 de agosto de 2007

Um ensaio sobre nada

Ontem, eu queria almoçar no pátio pra comprar um calça da renner. E não podia ser de outro lugar, tinha que ser da renner. Logo, tinha que ser no pátio. E eu queria companhia, chamei minha melhor amiga e dei uma de vendedora e destribui lindos motivos pelos quais ela deveria ir comigo almoçar e comprar a tal calça. A gente iria com a minha condução (rindo das meninas do primeiro ano), eu voltaria pra casa e ela pro sigma, de ônibus. Aí ela me veio com um impecilho: "Não quero voltar da parada até o sigma sozinha".
E dei a gritar a quase brigar com ela, porque aquilo era idiota, que ela não conseguiria andar 100 metros sozinha, que aquilo era coisa de menininha burguesa que nunca sai de casa e tem medo de pegar um ônibus, que tem gente da nossa idade que mora em samambaia e que se não pegar um ônibus (e andar até a parada!!!) não sai do lugar, e que isso e aquilo e tal.
No fundo, foi só irritação minha, ela tava com razão, é perigoso. Mas eu me irritei e quase mandei ela se foder. Tudo bem, não é aí que eu quero chegar.
Eu tô lendo um livro, do Érico Veríssimo, modernista, segunda fase, realismo fantástico, Incidente em Antares, o nome do livro. E, acreditem, a grande graça da história não é o fato dos mortos ressucitarem e irem prestar contas com os vivos, e sim a denúncia que ele faz, de forma até engraçada, aos dogmas, às crenças, as futilidades e os medos da burguesia da época (burguesia que antes era aristocracia agrária, mas a cidade evoluiu, os ricos também, mas continuaram burros). A história do livro se passa durante a parte que tem graça na história do Brasil: da proclamação da república até a ditadura militar (eu acho, ainda não terminei). E cara, é incrível como a elite (e o país) permanece a mesma! Um professor meu do cursinho costuma dizer que, pra você entender a história nacional contemporânea é só entender o que se passava na época da República das oligarquias! E é verdade! A elite burra, porém esperta, usa de todos os artifícios (constitucionais ou não) pra não mover um passo do lugar onde ela se encontra. E o mais legal do livro é a análise que ele faz do comportamento dos coronéis (sim, naquela época e até hoje, o mundo é dos coronéis), sempre moralistas, muito religiosos e anti-comunistas. Hipocrisia maior do mundo.
Me pergunto porque as pessoas que lêem o livro não se identificam com isso. Se nós somos a classe média que lambe o prato enquanto elite come o banquete, porque DIABOS ainda insistimos na mesma porcaria? É burrice histórica.

p.s: A historinha da minha amiga foi só pra ilustrar um comportamento classe-mediano comum.

Fui concisa?

Te dedico, brother.

10 comentários:

Gabriel Nardi, muito prazer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel Nardi, muito prazer disse...

só há um porém
classe média?
você (e eu, e nós) gasta mais em escola do que aquela moça de samambaia ganha de renda mensal da casa. Nós somos a elite, moça. E não damos um passo pra longe dessa situação, desde que ela seja agradável pra nós. Mas o livro é muito bom msm.
:p

lerd disse...

eu me identifico muito!
é, a gente tá na condição de elite mesmo..

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Quaaaanta hipocrisia!!!!

a citada disse...

Obrigada pela citação. Não é comportamento burguês, é precaução. Se dá pra evitar, pra quê correr risco? No final das contas, saímos e vc comprou a sua bendita calça?!
e obrigada pela aulinha de história.. foi concisa.
e é, foi meio hipócrito o post. nada mais do que o papel de uma boa e velha membra da classe média. =)
beijos, feia!
tinhamadoro! heuheheuheuhe

José Alípio Feitoza disse...

io rouba mas faz. é demagogo, é hipócrita. mas todo mundo fala, todo mundo sabe, etc. de qualquer forma estaremos no por do sol na sexta reclamando das mesmas coisas...toda sexta...

Gabriel Nardi, muito prazer disse...

Por do sol!

Maíra disse...

aaah, eu li esse livro nas férias, muito decepcionante (ano passado a deolinda tinha pagado pau gratuitamente presse livro e quando a m.helena falou que leríamos quase morri de ansiedade), tava esperando um realismo fantástico marqueziano/machadiano (se é que me entende). e quanto à parte política, nem falo nada porque... porque não sei o que fazer quanto a isso... é gente demais e é tempo de burrice demais pra uma cabecinha como a minha ter alguma opniao no mínimo construtiva e... eu to com saudade!!!!

Henrique disse...

o livro eh mt bacana
mas eu analizo de forma diferente
eu digo q ele fz tda essa critica social com o unico objetivo de atacar a ditadura q lah no final, fik a cada pag mais gritante. E eu naum acredito em como essa porra passou pela censura, naum eh possivel qm deixou passar tinha q ser mt retardado ou miguinho dos subversivos
uahuahuhauahua
mas eh bem legal msm esse livro