segunda-feira, 20 de abril de 2009

Futebol?

Antes de qualquer coisa, eu não vim aqui fazer análises sobre os jogos de ontem, nem nada parecido. Não entendo dessas coisas, e o que eu mais gosto de futebol são os nomes engraçados de jogadores esquisitos. E, claro, os depoimentos pré e pós partidas.
Vim dar meu parecer, minha ligação brevemente emocional com alguns times durante minha vida toda.
Então, vamos à gênese de todo o problema:
Minha família é toda flamenguista. Imagino que muitos netos de nordestinos que vieram parar em brasília são fruto de uma paixão por um time carioca que, pra mim, não faz o menor sentido. Mas ok, nesse cenário de dadaísmo de pensamento futebolístico, meu pai resolveu quebrar essa tradição SURREAL e fez algo não tão patriótico com sua terra seca deixada pra trás, mas pelo menos virou casaca e enfrentou a família toda: virou botafoguense. É, ok, digam o que quiser, mas eu adoro fazer parte de minorias e apoiei (mesmo que nem tivesse nascido) essa posição do meu pai. E foi aí que tudo começou...
... anos mais tarde, meu pai, botafoguense tímido, quieto, bonitinho-intelectual, hippie comunista, conheceu a aloprada da minha mãe. Sorte a dele que ela ainda não tinha time, só odiava o flamengo (hoje em dia eu vejo de onde saiu toda minha personalidade "só sei do que não gosto"). E nessa história toda, acabou que a louca acatou às crenças do meu pai, e os dois construíram uma relação bonita e feliz, estilo estrela solitária.
E eu, filha única até os sete anos, maísa de corpo e alma, vi, desde cedo a paixão da minha mãe por um time adquirido com o casamento, e o amor do meu pai por um time meia-boca, mas que fazia sua felicidade. Cresci num ambiente em que minha mãe gritava e xingava juízes do quarto, e que meu pai assistia calado, lá na sala, longe dos escândalos de mamãe, todo seu sofrimento em imagens verdes com pontinhos preto e rancos. Os dias felizes vinham também, mamãe continuava gritando, mas feliz, do quarto ao lado, e só dava pra escutar um risinho baixo vindo da sala, gratidão e felicidade depois de... não sei quanto tempo dura uma partida.
O tempo se passou, minha irmã nasceu, cresceu, compartilhou com meu pai esse amor calado, mas amor, pelo botafogo. E eu, depois de muito tempo, descobri que meu pai é um típico torcedor botafoguense: quieto, sem paixão, mas com muito amor que não se abala com derrotas ou se enaltece por vitórias bobas. É amor purinho, até bonito de se ver, que transparece num sorriso só, sem gritos, sem essas baixarias dessas pessoas poucas. É algo mais interior, um budismo quase, algo dele e pra ele, não pra jogar pra fora.

4 comentários:

Alexandre A. Bastos disse...

é muito amor mesmo. num é paixão de momento. e são 90 minutos de duração e, eventualmente (quase sempre), alguns minutos de acréscimo a cada tempo. (:

Lorena disse...

toda a família paterna é botafoguenese e ele resolveu virar flamenguista, ó que ironia

maíra disse...

o fritz tá assistindo a essa bagaça agora.

ana laura disse...

mari era bom entrar no seu blog e ter alguma coisa legal pra ler, sinto falta! um beijo grande