terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sobre as vírgulas

Por que não usá-las? Após uma vírgula são várias as possibilidades de se continuar: ou se confirma o que quer dizer ou você entrelaça outros argumentos, adiciona outra informação, confirma o que queria deixar claro. Vírgulas são eternos começos e fins sem perder o raciocínio, mudando o assunto, vez em quando, mas continuando no pensamento. Acompanhar as vírgulas é seguir sem se perder, é prestar atenção em todos os poréns, entretantos, porquês, uma vez que, sim, não, etc, etc, etc, etc, etc. Vírgula é o dinâmico, o pensamento explosivo que sai e vai continuando sem parar, mudando e voltando, se jogando tudo de uma vez pra que se fixe o mais importante, que é o todo, não os fragmentos, pedaços, fins e começos. Vírgulas são pelas continuidades, pelos meios, sempre, que vão se justificando até o fim, que não é o fim disso ou daquilo é o fim do pensamento inteiro, que não se encerra devagar, ele cresce até o topo e se acaba de uma vez.
Saramago gosta delas, Clarice também e Machado se afeiçoa, que eu sei.



p.s: Já com os pontos eu não me arrisco. Não gosto deles. Nem eles de mim.

2 comentários:

maíra disse...

saramago nao gosta de paragrafo, clarisse é doidona, machado só tá organizando as idéias.

phillipo disse...

oh céus, eu não falei pra vc abolir as vírgulas! só pra usar mais pontos. pq é cansativo vc começar a ler e engolir milhões de vírgulas, sem uma pausa pra respirar direito. mas vc já melhorou muito neste quesito (como se eu fosse algum termômetro pra medir português dos outros)