quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Eu sempre soube que eu era uma pessoa extremamente nostálgica. Eu vivo do passado, sei que não é uma boa filosofia de vida, mas eu adoro o que passou. Eu vivo sonhando com o que já aconteceu e a única distinção entre momento importantes e os passageiros é que só nos importantes eu não penso no passado. Só quando algo incrível tá acontecendo que eu não me importo com o que já aconteceu. E na hora eu não me importo se eu vou pensar nisso e sentir saudade depois, eu costumo só viver pra viver de lembranças quando passar.
E junto com isso vem cheiros, sons, que me lembram tudo. Até hoje eu páro tudo que estiver fazendo quando sinto o cheiro do perfume de algum namorado antigo e fico vagando, lembrando de tudo... não com saudade, na maioria das vezes eu só gosto de lembrar do que tanto me fazia sentido em outras épocas e como foi bom aquilo ter acontecido naquele momento.
Tem um cheiro certo que me lembra a brisa que batia debaixo do pé de jabuticaba que tinha na casa da minha avó, lá em natal, quando eu brincava na areia do parquinho. Até hoje ele vem de vez em quando, cheiro de nostalgia.
Um dia desses eu tava no carro com uma amiga, indo pra uma festa e ela colocou um cd que um amigo fez pra ela, esse amigo costumava ser meu namoradinho quando tínhamos 10, 11 anos, e uma das músicas do cd era uma que a gente costumava dançar juntos nas festinhas de aniversário, era uma música de academia antigona "i still believe in your eyes"... e do tanto que eu lembrava dele com saudade quando chegavam as férias e a gente passava meses sem se ver, essa música tocava repetidamente na minha cabeça, e ouvi-la um dia desses, sem esperar, foi um baque nostálgico que eu aproveitei até chegar na festa e lembrar que eu não tinha mais 10 anos, nem dançava com vassouras e beijava laranjas pra aprender.
Sei reconhecer o cheiro de 212 da Carolina Herrera em qualquer homem que passe por mim, mesmo com um raio considerável de distância, e até hoje esse perfume me dá arrepios de saudade.
Assim como "Neutrox" me faz lembrar de uma tia minha que tinha os cabelos cheirosos e sempre macios e toda vez que eu vejo esse condicionador eu tenho vontade de tomar banho e fingir que meus cabelos são como os dela eram quando eu era menor.
E tem um desodorante masculino que eu não sei qual é, mas que toda vez que eu usava ao sair da casa de um namorado meu, me lembrava do cheiro que ele tinha quando nos conhecemos e sempre morria por dentro de lembrar daquilo tudo... com uma vontade de rebobinar e começar denovo, não pra mudar nada, só aproveitar tudo aquilo que tinha sido tão bom.
ainda morro de saudade.

3 comentários:

Alexandre A. Bastos disse...

Gostei muito. Cada palavra lida dava a sensação de que eu devo perscrutar meu passado pra reconhecer quais eram as boas sensações que deveriam estar estridentes na minha memória. Perfumes, brisas e Neutrox a parte, você fica no meio de tanta nostalgia sujeita às lembranças sem o tom piegas de quase-tristeza. Obrigado por seus escritos, Amaral. Eles me agradam bastante. (:
Beijos

maíra disse...

ah, nós, os influenciados por cancer e capricornio...!

phillipo disse...

falou e disse:

"Só quando algo incrível tá acontecendo que eu não me importo com o que já aconteceu."

tá pra vir o dia q vc não vai se preocupar com o teu passado ou o teu futuro. e então perceber q nem sempre é preciso estar ao lado de alguém pra tá feliz. ah, e cheiro é uma coisa periogosa. as gemas da vida q o diga!